Esqueça processadores mais rápidos ou mais memória. Estudos afirmam, e a experiência comprova, que uma das formas mais fáceis de aumentar sua produtividade em frente ao computador é simples: use mais de um monitor
Farhad Manjoo / NY TimesPara aqueles entre nós que se impressionam facilmente com a tecnologia, uma visita ao enorme quartel-general do Google em Mountain View, na Califórnia – com sua réplica da SpaceShipOne, banheiros computadorizados e estacionamentos cobertos por painéis solares – pode ser uma experiência quase sobrenatural.
Apesar de tudo isso, o que mais me chamou a atenção em uma recente visita foi algo bastante comum: as mesas dos programadores. Mais especificamente, os monitores ligados a seus computadores.
Me encontrei com vários engenheiros de software que trabalham no Gmail, e cada um tinha seu próprio e espetacular arranjo de telas. Alguns combinavam monitores largos com monitores mais altos, outros tinham telas enormes combinadas a modelos menores, e outros ainda usam várias telas em série, dando a impressão de que, além de construir um sistema de webmail, também ajudavam o Departamento de Defesa a monitorar o espaço aéreo dos EUA.
Por vários anos venho lendo sobre os benefícios psicológicos de ligar mais de um monitor ao computador. Vários estudos feitos por especialistas na interação entre homem e máquina sugerem que combinar dois monitores, ou simplesmente usar uma única tela enorme, pode aumentar significativamente a produtividade. A teoria é simples: quanto maior o monitor, mais do seu trabalho você pode ver, e mais você ficará tentado a fazer.
Em um estudo recente encomendado pela fabricante de eletrônicos NEC, pesquisadores da Universidade de Utah, nos EUA, pediram a vários funcionários de um escritório para realizar uma série de tarefas em vários arranjos diferentes de monitores. Eles descobriram que as pessoas que usaram dois monitores de 20 polegadas foram 44% mais produtivas em certas operações de edição de textos que as pessoas que usaram um único monitor de 17 polegadas.
Mas até pouco tempo atrás, estudos como este eram de pouca valia. Monitores de tela plana custavam uma fortuna. Talvez corretores de ações, editores de cinema e engenheiros do Google pudessem combinar várias telas, mas meros funcionários de um escritório certamente não teriam acesso a tal regalia.
Mas o preço dos monitores LCD despencou em quase um terço em 2008, de acordo com Sweta Dash, analista da empresa de pesquisa de mercado iSuppli. Dash prevê que esta tendência deve continuar por boa parte de 2009. Mais ainda, no último ano a indústria começou uma tendência em direção a monitores mais largos, ideais para trabalhar com dois aplicativos lado-a-lado (ou para ver filmes). Os espaçosos modelos de 22 polegadas widescreen estão se tornando o padrão. Hoje, é possível comprar um deles, nos EUA, por menos de US$ 200.
Com isto em mente, nas últimas semanas comecei uma busca pessoal pela configuração multi-monitor ideal. Comprei vários monitores e os combinei de todas as formas possíveis. A princípio, coloquei dois modelos de 22 polegadas widescreen lado-a-lado, criando uma tela extremamente larga com cerca de 38 polegadas (na diagonal). Depois, girei cada monitor em 90 graus para que fossem mais altos do que largos: esta configuração me permitia ler um documento inteiro em tela cheia sem ter que rolar a página.
Copiando um dos estilos que vi no Google, também coloquei um monitor “em pé” e outro em sua posição original, criando algo que parecida com uma letra T deitada. Reservei a tela mais larga para trabalhar com janelas lado-a-lado, e a tela “em pé” para a leitura de documentos longos e navegação na web.
Também experimentei algumas configurações com meu notebook: a tela do notebook mais um monitor widescreen, ou a tela mais um monitor “alto”. Por fim, instalei o Cadillac dos monitores, um enorme modelo widescreen de 30 polegadas feito pela Gateway. Não importa a configuração, minha experiência confirmou as descobertas dos pesquisadores: ter muito espaço na tela realmente aumentou significativamente minha produtividade.
Como todo trabalhador sabe, fazer qualquer coisa em um computador que está ligado à internet pode ser um teste de força de vontade. No “antigo” monitor de meu PC – um modelo de 19 polegadas – a web era como um buraco negro que rotineiramente me desviava de meu caminho. Eu abria uma janela do navegador para consultar alguma informação, mas assim que eu o fazia todos os vestígios do meu trabalho desapareciam atrás dela e eu me esquecia do que estava fazendo. Meia hora depois, eu acordava do “transe” induzido pela navegação na web, tentando descobrir como diabos fui parar em uma página contando a história da Adidas, ou qualquer outro tópico que não tem absolutamente nada a ver com meu trabalho.
Um desktop gigante não removeu todas as distrações, mas diminuiu seu impacto. Eu podia ter meu programa de e-mail e navegador abertos em uma tela enquanto meu documento no Word ficava em outra. Isto me mantinha focado. Mesmo que eu fosse navegar na web, meu documento no Word continuava visível, como um lembrete de que eu tinha que voltar ao trabalho.
Mas os múltiplos monitores não só reduziram distrações: o arranjo também aumentou minha eficiência enquanto eu trabalhava. Geralmente uso dois programas enquanto escrevo artigos: o Word e o Bloco de Notas, onde guardo uma lista de anotações. Por exemplo, enquanto escrevo este artigo no Word volto constantemente ao Bloco de Notas em busca de informações pertinentes. Quando encontro a informação, eu a copio para a área de transferência e volto para o Word, onde a colo. Esta é uma tarefa bastante comum, talvez a coisa mais comum entre os usuários de computador. Procuramos por dados brutos em nossas mensagens de e-mail e na web, e então os transferimos para documentos do Word, planilhas do Excel e apresentações do PowerPoint.
Mas em um monitor pequeno esta tarefa frequente representa um desafio cognitivo, diz Jane Payfer, chefe de marketing da Ergotron, empresa que fabrica os apoios de monitor ergonômicos que usei em meus experimentos. A cada vez que você coloca uma nova janela em sua tela, seus olhos e seu cérebro precisam se reorientar para entender a nova imagem, uma tarefa de processamento mental que pode acabar lhe atrasando. Em um arranjo com múltiplos monitores, o cérebro tem um “descanso”. Minhas notas ficam em um lado enquanto meu documento fica no outro. Quando foco em um dos programas, não perco meu lugar no outro.
De todas as configurações de monitores que experimentei, fiquei mais impressionado com o monitor de 30 polegadas da Gateway, que me deu espaço em tela suficiente para manter abertas cinco ou seis janelas em tamanho máximo ao mesmo tempo. Mas com um preço de mais de US$ 1.000, nos EUA, telas deste tamanho ainda são proibitivamente caras para a maioria das pessoas.
Descobri que dois monitores de 22 polegadas, um na vertical e outro na horizontal, são uma forma de aumentar minha produtividade com um custo-benefício muito melhor. Mas esteja avisado: para trabalhar desta forma, é necessário um computador equipado com uma placa de vídeo capaz de controlar dois monitores. Este é um recurso comum em computadores mais novos, mas se você tem um PC mais antigo provavelmente vai precisar instalar uma placa de vídeo nova. Até os modelos mais baratos baseados em chips da nVidia ou ATI já trazem este recurso, e mesmo com pouca prática é possível fazer a operação em cerca de 15 minutos.
Como alternativa, você pode comprar um adaptador para múltiplos monitores, como o “Dual Monitor Adapter” da Kensington, que transforma uma das portas USB de seu computador em uma saída de vídeo, onde você pode ligar um segundo monitor sem o trabalho de abrir o PC para instalar uma nova placa.
Seja como for, instalar dois monitores é uma forma muito mais barata de aumentar a produtividade que comprar um novo computador super-rápido. Seu cérebro agradece.
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